sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor" - Prende o Teu Coração ao Meu

Prende o Teu Coração ao Meu

De noite, amada, prende o teu coração ao meu 
e que no sono eles dissipem as trevas 
como um duplo tambor combatendo no bosque 
contra o espesso muro das folhas molhadas. 

Nocturna travessia, brasa negra do sono 
interceptando o fio das uvas terrestres 
com a pontualidade dum comboio desvairado 
que sombra e pedras frias sem cessar arrastasse. 

Por isso, amor, prende-me ao movimento puro, 
à tenacidade que em teu peito bate 
com as asas dum cisne submerso, 

para que às perguntas estreladas do céu 
responda o nosso sono com uma única chave, 
com uma única porta fechada pela sombra. 

Pablo Neruda, in "Cem Sonetos de Amor" 

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