segunda-feira, 6 de abril de 2015

António Barbosa Bacelar, in 'Fénix Renascida' - À Variedade do Mundo


Este nasce, outro morre, acolá soa 
Um ribeiro que corre, aqui suave, 
Um rouxinol se queixa brando e grave, 
Um leão c'o rugido o monte atroa. 

Aqui corre uma fera, acolá voa 
C'o grãozinho na boca ao ninho üa ave, 
Um demba o edifício, outro ergue a trave, 
Um caça, outro pesca, outro enferoa. 

Um nas armas se alista, outro as pendura 
An soberbo Ministro aquele adora, 
Outro segue do Paço a sombra amada, 

Este muda de amor, aquele atura. 
Do bem, de que um se alegra, o outro chora... 
Oh mundo, oh sombra, oh zombaria, oh nada! 


António Barbosa Bacelar, in 'Fénix Renascida' 
Título: À Variedade do Mundo
Portugal - 1610 // 1663 
Poeta 

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